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Motociclistas têm aptidão pra bandidagem?

quinta-feira, março 21st, 2013

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Motoqueiros e motoqueiras, segurem-se nas cadeiras. Uma lei “genial” que governador Geraldo Alckmin sancionou em SP proíbe a entrada de pessoas com capacete em estabelecimentos comerciais públicos ou privados. Releiam, é sério.

De autoria do deputado José Bittencourt (PSD), a justificativa para tal lei é de que muitos atos de violência (roubos e homicídios) foram e são cometidos por bandidos usando capacete para encobrir o rosto. Mas não pensem que isso é uma medida de segurança, é só mais uma lei preconceituosa contra os motociclistas, como se todos que usam capacetes fossem cometer algum tipo de crime.

Vou esclarecer a parte mais “incrível” dessa lei. Ao entrar em postos de gasolina, a lei prevê que o motociclista (não o bandido, mesmo que o texto do deputado não deixa clara a diferença entre os dois) deve parar a moto na calçada, antes da faixa amarela do estabelecimento, retirar o capacete e só depois entrar no posto. Entendeu?

Pense que seguro: você, motoqueiro, para sua moto na calçada e um motorista desatento e/ou embriagado e/ou ao celular não vê seu veículo ali? Cena nada rara em São Paulo. Se andando a pé já somos surpreendidos por motoristas que acreditam que postos de gasolina são boxes de autódromo, imagine se estivermos parados tirando o capacete. A culpa do acidente é de quem? Do motoqueiro parado ali? Ou do deputado autor dessa lei e do governador que a sancionou?

Ou mais bizarro. Já imaginou um bandido disposto a assaltar um posto de gasolina, um caixa eletrônico ou um supermercado preocupado em cumprir a lei e, por isso, ir de rosto descoberto?

A questão aqui é a velha incompetência das nossas autoridades em resolver problemas e pra isso querem combater a consequência e não a causa. Já que a maioria dos assaltos a postos de gasolina nos últimos anos foram feitos por bandidos em motos e de capacete, nada mais “justo e inteligente” que proibir o capacete nesses ambientes. Sabe aquela velha história do cara que pega a esposa com outro no sofá e vende o sofá? Então…

O que motiva um roubo não é usar ou não um capacete, mas a vertiginosa desigualdade social somada à sensação de impunidade e incompetência do poder público. Não importa se se está numa moto, num carro, numa van, na Assembleia Legislativa, no Palácio dos Bandeirantes, num micro-ônibus ou numa nave espacial. Esse é só o MEIO para realizar o crime, não o crime em si.

E vai aparecer o deputado José Bittencourt do PSD dizendo que a lei não é preconceituosa porque ele mesmo criou, em 2009, a Lei 13.486 instituindo o “Dia de Combate à Discriminação de Qualquer Natureza”, portanto acusa-lo de discriminatório agora é um erro. Será que nesse dia, ao menos, o grande deputado vai olhar para os motoqueiros como motoqueiros ou como “bandidos de capacete em potencial”? É discriminação de qualquer natureza, nem vou entrar nas mais enraizadas da nossa sociedade para não complicar o ilustríssimo representante dos cidadãos paulistas.

Cuidado então, colega motoqueiro, quando decidir andar em grupo com outros colegas, eles também podem ser algum “bandido em potencial”.

Até a próxima.

Lei americana pode permitir motociclista a cruzar farol vermelho

quarta-feira, fevereiro 20th, 2013

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Olá, colegas motoqueiros. Veja que lei interessante está sendo discutida nos EUA: a moto pode cruzar farol vermelho. Mas calma lá, não é tão simples assim. Vamos apresentar fatos e argumentos para então discutir: será que daria certo no Brasil?

Todos vocês sabem que o transito e a rua não foram pensados para a presença da moto. Divisórias de algumas pontes têm vãos grandes o bastante pra prender a roda de algumas motos, os guard-rails são facas afiadas para o motoqueiro em queda, as faixas pintadas na rua são sabão em dia de chuva, espaço para estacionar na rua quase não existe e etc.

Mas a questão o semáforo é outro detalhe. Alguém já parou em um semáforo inteligente? Aqueles que só abrem quando um carro se aproxima? Então, acontece que o sensor desse tipo de farol não é acionado pelo peso da moto. Imagine a situação, você voltando pra casa de noite, sozinho na rua e encontra um desse no caminho. A menos que apareça algum carro, esse farol jamais se abrirá e você terá que cometer uma infração.

Justamente aí que entra a lei americana. Quase todas as cidades dos EUA são equipadas com esse tipo de farol. Para evitar uma infração obrigatória ao motociclista, o senador Paul Schumacher, do Estado de Nebraska, propôs a lei que permita motoqueiros passarem no sinal fechado desde que não haja pedestres ou outros veículos no local. Tem um porém: a moto precisaria esperar ao menos dois minutos para a mudança no farol.

De fato, ficar esperando um carro se aproximar pode ser incômodo com uma chuva e perigoso caso apareça um motorista distraído ou embriagado e atropelar a moto parada (nos EUA, esse crime é mais comum do que pode parecer). Tanto que muitos outros estados como Missouri, Carolina do Norte, Wisconsin, Idaho, Arkansas, Tennessee e Minnesota já têm leis que permitem aos motociclistas furarem o sinal depois de aguardarem por muito tempo parado. A proposta de Schumacher é tornar essa lei federal.

Os opositores dizem que essa lei incentiva a infração e que é impossível saber se o motoqueiro ficou mesmo parado no farol antes de atravessá-lo. Os apoiadores dizem que, mesmo incentivando furar o sinal vermelho, a lei traz mais segurança e conforto aos que optaram pela moto.

E o que você acha disso tudo? Daria certo por aqui? Já encarou um semáforo inteligente e foi obrigado a passar no vermelho?

Até a próxima.

A moto é inocente

sexta-feira, novembro 23rd, 2012

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A sociedade dos grandes centros urbanos tende a demonizar a motocicleta por conta do comportamento de alguns motociclistas e do alto índice de acidentes. Porém desconsideram que a responsabilidade de tais acidentes é, muitas vezes, responsabilidade daqueles que fazem o trânsito: motoristas (de todos os veículos) e pedestres.

A moto, enquanto objeto inanimado, é completamente inocente. Por que estou dizendo algo tão óbvio? Porque quando se fala da moto e do motociclismo como algo nocivo, encontramos consequências terríveis.

Já discutimos sobre segurança e trânsito inúmeras vezes no blog, mas veja esse ponto: enquanto a moto em si for vista como nociva, leis e facilidades no trânsito que favorecem os motociclistas serão sonhos distantes.

Longe de defender o comportamento dos condutores das duas rodas, defendo praticidade e segurança para todos. Você já reparou como faltam lugares “oficiais” para motos estacionarem? Ou como falta uma real preocupação com a segurança do motoqueiro no tráfego diário?

Reitero: sem defender o comportamento de muitos motociclistas, o fato é que no trânsito a moto é sempre a culpada e nunca tem a preferência.

Encarar a moto não como um veículo perigoso e culpado por sua existência, mas como parte integrante e indissociável dessa colcha de retalhos que o trânsito de grandes centros urbanos seria justo. Seria o primeiro passo para atender as necessidades de quem optou por esse meio de transporte, tanto profissionalmente quanto para lazer.

Pense numa última questão: a moto é sempre vista como problema e jamais como solução, mas ninguém quer esperar mais 10 minutos para a pizza chegar… Enfim. Reflitam sobre isso e passe para seus amigos de trânsito, motociclistas ou não.

Até a próxima.